Papa denuncia terrorismo como “loucura homicida”, mas evita falar do Islã

Francisco condenou a utilização do nome de Deus para justificar assassinatos

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O papa Francisco encontrou-se com representantes dos 128 estados com relações diplomáticas com a Santa Sé. Durante a reunião no Palácio Apostólico do Vaticano, o pontífice pediu uma reflexão sobre as questões atuais envolvendo segurança e a paz.

Lembrando das guerras, nominou os conflitos étnicos e religiosos em países como Síria, Iraque, Iêmen, Líbia, Sudão, Sudão do Sul, República Centro-africana, Mianmar e República Democrática do Congo. Apelou também para um novo esforço de diálogo entre israelitas e palestinos.

Após lembrar que “para os cristãos, a paz é um dom do Senhor”, insistiu ter convicção de que “cada expressão religiosa é chamada a promover a paz”. Porém, fez a ressalva que nunca se pode usar o nome de Deus para justificar a violência. “Trata-se de uma loucura homicida que, na tentativa de afirmar uma vontade de predomínio e poder, abusa do nome de Deus para semear morte”, sublinhou.

Ele condenou “o terrorismo de matriz fundamentalista, que ceifou também no ano passado numerosas vítimas em todo o mundo”. Pedindo a união de todas as autoridades religiosas do mundo, lembrou que “nunca se pode matar em nome de Deus”. Citou vários exemplos disso, ressaltando que “São gestos desprezíveis, que usam crianças para matar, como na Nigéria.

Visam quem reza, como na catedral copta no Cairo, ou simplesmente quem passeia nas ruas de uma cidade, como em Nice e Berlim, ou quem festeja a chegada do Ano Novo, como em Istambul”.

Curiosamente, todos esses atentados foram realizados por muçulmanos, mas Francisco evitou mencionar diretamente o islamismo durante seu discurso.

Chama a atenção que ele voltou a ignorar as motivações religiosas desses conflitos, dizendo que eles ocorrem por causa de “interesses políticos, dinheiro e recursos naturais”.

Como vem sendo a tônica de seu pontificado, apelou para uma união de todas as religiões. “O terrorismo fundamentalista só poderá ser plenamente vencido com a colaboração conjunta dos líderes religiosos e dos líderes políticos”, assegurou.

Entre outros assuntos mencionados por ele estão o pedido por um maior esforço no controle do tráfico de armas, a abertura dos países para receberem os refugiados e a proteção especial às crianças que vivem em meio à guerra. Na parte final do pronunciamento enfatizou que “só há verdadeira paz a partir de uma visão do homem que saiba promover o seu desenvolvimento integral”. Com informações BBC